DEFICIENTES FÍSICOS DENTRO DA SALA DE AULA

     Os principais tipos de deficiência física, segundo o Decreto nº 3.298 de 20 de dezembro de 1999, são: paraplegia, perda total das funções motoras dos membros inferiores; tetraplegias, perda total da função motora dos quatro membros e hemiplegia, perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo. Ainda são consideradas as amputações, os casos de paralisia cerebral e as ostomias (aberturas abdominais para uso de sondas).

     As crianças com deficiência física, em geral, têm dificuldades para escrever, em função do comprometimento da coordenação motora. O aprendizado pode se tornar um pouco lento, mas, exceto nos casos de lesão cerebral grave, a linguagem é adquirida sem grandes empecilhos.

     Dependendo da área do cérebro afetada, a pessoa com deficiência física pode apresentar, também, dificuldades na aquisição da linguagem, na leitura, na escrita, na percepção espacial e no reconhecimento do próprio corpo.

     Para facilitar a mobilidade dos alunos nas atividades desenvolvidas em sala, pode-se utilizar tecnologias assistivas ou aumentativas, como engrossadores de lápis, apoios para os braços, tesouras adaptadas e quadros magnéticos. Respeite o tempo de aprendizagem desses alunos, que podem demorar mais para executar determinadas tarefas, e conte sempre com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

     Alguns alunos com deficiência física podem requerer cuidados especiais na hora de ir ao banheiro, necessitando de um acompanhante. Nos casos de hidrocefalia, é preciso que o professor observe o aparecimento de sintomas como vômitos e dores de cabeça, que podem significar problemas com a válvula implantada na cabeça da criança para conter o acúmulo de líquido.

     Adequar a estrutura do prédio da escola é primordial para receber alunos com deficiência física. Rampas, elevadores (quando necessário), corrimões e banheiros adaptados atendem às crianças com diferentes dificuldades de locomoção.

 

Fonte: Revista Escola

  • Desenho feito pelo aluno Lucas Costa do 3º ano. Ele desenhou sua amiga Maria deficiente auditiva (surda-muda) do 2ºano. Quando questionado o porquê dela ser especial e como ela é tratada, Lucas respondeu: “Maria é especial porque fala comigo usando as mãos e não a boca”. “ Eu trato ela bem porque é minha amiga, ela não fala mas vive fazendo gracinha”.

  • Desenho feito pelo aluno Arthur do 3º ano. Ele desenhou seu colega de sala Lucas, deficiente físico. Quando questionado o porquê de seu amigo ser especial e como ele é tratado, Arthur respondeu: “Lucas é especial porque precisa que eu ajude ele a ir onde quer e eu gosto de ajudar e brincar com ele”. “ Eu trato ele com mais carinho que os outros porque ele nunca briga comigo”.

  • Desenho feito pelo aluno Lucca do 4ºano. Ele desenhou seu colega do 5ºano Pedro, deficiente visual. Quando questionado porque ele é especial e como você trata seu colega, Lucca respondeu: “Pedro é especial porque não enxerga e muitas vezes precisa de ajuda apesar de se virar bem com sua guia”. “Eu trato ele como um amigo normal porque todo mundo precisa de ajuda de outras pessoas”.

Entrevista com a Pedagoga RENATA SALVIATO sobre EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

Entrevistada: Renata Salvinato

Idade: 38 anos

Formação: Pedagoga

Instituição de Ensino: Cliesp

 

P: Como foi sua reação ao saber que teria um aluno especial?

R: Foi tranquila, pois como essa escola é inclusiva temos alunos com diversos tipos de deficiência e recebemos também um treinamento para lidar com as diferenças.

 

P: Quais os métodos que utilizou para ajudar as crianças na aprendizagem?

R: Na sala do 4º ano da turma da manhã temos um menino cadeirante, o qual recebeu uma mesa adaptável, mais alta e mais larga o que facilita na hora de locomoção e promove maior conforto para o aluno. Já no 3º ano da turma da tarde, temos uma aluna com Síndrome de Down. Esta realiza as mesmas atividades que a turma, porém na hora das atividades avaliativas os critérios utilizados são condizentes com o desenvolvimento intelectual que ela apresenta. Na sala também do 3º ano da turma da tarde tenho um aluno deficiente visual. Para ele fazemos uso do braile e o chão da sala é demarcada para ele poder se locomover sem esbarrar nas carteiras, saber a localização da minha mesa, do lixo e lousa também.

 

P: Qual foi a maior dificuldade?

R: Combater o preconceito de crianças vindas de outros colégios. Estas como não conviveram desde sempre com crianças diferentes trazem consigo ideias nem sempre reais que causam conflitos.

 

P: Como docente, qual a sensação de ter um aluno especial e saber que você esta ajudando-o a se desenvolver cada dia melhor?

R: Eu tenho um filho deficiente e por isso fiz questão de trabalhar em uma escola que atendesse também as necessidades de crianças especiais. Eu sei que a escola juntamente com a família é capaz de melhorar a condição de vida deles e crianças especiais que convivem diariamente com crianças normais possuem um desenvolvimento mais completo, enfrentam maiores desafios, os quais quando orientados por um profissional competente o sucesso é garantido.

 

P: Quais atividades proporciona?

R: Procuro sempre adaptar as atividades para que todos possam interagir sem que haja exclusão por parte dos deficientes. Por exemplo, na sala do Thiago, aluno deficiente visual, as atividades que promovem sensações são constantes e as crianças adoram. Estudamos cadeia alimentar por exemplo e para ele conseguir montar uma, fizemos o uso de brinquedos de animais onde pelo tato ele sabia qual era o animal e logo do que ele se alimentava e assim montou sua cadeia alimentar e foi avaliado na prova.

 

P: Como é o convívio com outras crianças?

R: A Malu, que tem Síndrome de Down interage bem com todas as crianças mesmo porque muitas nem percebem a diferença intelectual dela. Já o cadeirante Matheus, sempre teve muitos amigos pois todo dia é sorteado no começo da aula quem vai ser o responsável por ajudar na sua locomoção na hora do banheiro, intervalo e saída. O Aluno Thiago que é cego gosta muito de conversar e é bem extrovertido, isso facilita a socialização com as demais crianças. No começo muitas crianças zombaram dele por conta dos óculos escuros que ele usa, mas logo isso foi resolvido.

 

P: Como são as respostas dadas desses alunos a suas atividades e expectativas?

R: Vamos lá, a Malú é mais infantilizada que os demais, isso as vezes gerava conflitos, choro, mas foi dado para ela sempre as mesmas atividades dos outros alunos, as cobranças é que são diferentes. Por exemplo, na alfabetização ela reconhece todas as letras, mas não na ordem alfabética e isso ela fara no tempo dela. O Matheus como intelectualmente ele não apresenta deficiência, as atividades também são as mesmas. Na aula de educação física que eu assisti recentemente, o professor adapta exercícios que sejam semelhantes aos da turma, os quais todos possam interagir junto.

 

P: Como é a sala e o número de alunos?

R: Eu leciono para o 3º e 4º ano nos períodos manhã e tarde e as duas salas possuem 28 alunos, com uma professora auxiliar me ajudando. Ambas salas são tranquilas e agem de acordo com o esperado. A turma do 3º ano exige um pouco mais de mim por apresentar dois deficientes diferentes na mesma sala, porém com planejamento a gente dá conta.

 

P: A escola é projetada para todos os tipos de deficientes?

R: Bom para todos eu não sei, mas para todos os deficientes que aqui estudam sim. Temos rampas, sinalizações, cadeiras de rodas, cadeiras especiais, dentre outros. A escola sempre está se ampliando e modificando-se para melhor atender todos os alunos.

 

P: Há cursos de formação continuada periódica para capacitação dos docentes?

R: Sim. Semestralmente há palestras aos sábados obrigatórias para nós educadores.

 

P: Há reunião periódica de discussão de casos e estratégias para inclusão dos alunos com deficiência?

R: Sim. Bimestralmente ou sempre que algum professor se encontra com alguma necessidade especifica.

 

P: Os horários de intervalos são diferenciados entre Educação Infantil e Ensino Médio?

R: Sim. Os horários são diferenciados para a Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio, cada turma lancha em um horário.

 

P: No intervalo tem brincadeiras dirigidas para alunos especiais com acompanhamento de monitores?

R: Não, no intervalo temos monitores e auxiliares que observam e incentivam as crianças brincarem juntas. Elas ficam livres para formarem grupos e realizarem as atividades que quiserem, porém sempre assistidas.

 

EXCLUSÃO É CRIME

     A educação inclusiva se apoia na premissa de que é preciso olhar para o aluno de forma individualizada e colaborativa, contemplando suas habilidades e dificuldades no aprendizado em grupo. Isso não significa reduzir as expectativas da turma ou deixar de avaliar os estudantes. A sociedade já deveria estar preparada para a diversidade.  As necessidades das pessoas com deficiência são as mesmas de qualquer um: aprender, conviver, circular livremente. Segundo a legislação brasileira, são consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimentos físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais de longo prazo que possam afetar sua participação na sociedade em igualdade de condições. O atendimento escolar  é obrigatório  a todos os estudantes de 4 a 17 anos, inclusive aos com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento. Não existe um tipo de deficiência que exclua a criança de ser atendida pela escola em classe regular, sob pena de denúncia aos órgãos da Educação e ao Ministério Público.